5 dicas para identificar a origem do dinheiro em empresas

Em um primeiro momento, abordar o tema origem do dinheiro em empresas pode parecer um tanto intrusivo. Mas, não se deixe enganar. Tal atividade faz parte da rotina de muitas empresas e órgãos reguladores.

Historicamente falando, muitas empresas de renome construíram suas fortunas com base em atividades um tanto tendenciosas e polemicas.

Se tratando no mundo empresarial, sempre vale a pena correr determinados riscos para se alcançar o sucesso. Mas, depois de diversos acontecimentos, o pensamento não se baseia tanto em correr riscos e sim, em preveni-los.

No decorrer desse ano, nós abordamos aqui no blog diversos temas relacionados a gestão de risco , ensinando como evita-los através da estruturação de métodos e processos.

Você pode conferir tudo aqui: Gestão de riscos corporativos: aprenda como colocar em prática.

Para entendermos os pontos que iremos abordar sobre a origem do dinheiro em empresas, podemos usar um exemplo real e que se tornou a maior operação anticorrupção da história do Brasil.

É claro que estou falando da operação lava jato. 😉

A operação lava jato expos ao país algo que sua população “sempre soube”.

Diversos esquemas de lavagem de dinheiro e favorecimentos contratuais entre setor público e privado. (As construtoras que o digam!)

Você já parou para imaginar, como tratamos esses “favorecimentos” de forma normal quando acontecem apenas entre organizações do setor privado?

Pois é. . .

Sem mais falácias, vamos entender porque você, como empresa, precisa saber como identificar a origem do dinheiro de outras empresas e entender porque isso é importante na gestão de riscos empresariais.

Por que saber sobre a origem do dinheiro de uma empresa?

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– Com certeza o dinheiro não cai do céu.

Motivos não faltam para entender esse processo, alguns pontos a ser questionado são:

– Quero estabelecer uma parceria com uma empresa do mesmo setor. O que preciso analisar para que ocorra essa parceria?

  • Conhecer o quadro societário (Sócios e investidores).
  • Como construíram sua fortuna?
  • De onde vem o capital?
  • Possui histórico processual?
  • Outros.

Eu poderia estender uma enorme lista de questões a serem analisadas, mas, ficaria dias aqui.

Saber a origem do dinheiro dos seus parceiros, fornecedores e clientes, é se prevenir contra riscos futuros que podem ser totalmente prejudiciais a sua marca.

Entenda como evitar aqui: Risco de imagem, como evitar?

Quando o seu departamento de compliance estabelece processos como KYC, KYE, KYP, é de suma importância levantar dados financeiros e fiscais.

Dito isso, vamos as 5 dicas que você como empresa pode utilizar para analisar a origem do dinheiro de outras empresas.

Origem do dinheiro: Dicas para fazer um levantamento efetivo

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– Pode confiar!

1 – Levantar quadro societário

  • Quem são os sócios dessa empresa?
  • Como chegaram até ali?
  • Possuem participação em outras companhias?
  • Quem são os investidores?
  • Como fizeram sua fortuna?

Ao levantar o quadro societário de uma empresa, é importante levantar questões como essa.

Corrupção, fraude e lavagem de dinheiro, não são problemas que surgem espontaneamente. São sempre causados por um agente.

Se os investidores que aplicam dinheiro na sua empresa o fazem com dinheiro de origem tendenciosa como, dinheiro de corrupção ou de fraude, o risco de sua empresa ter problemas futuros é enorme.

Por que estou dizendo isso? O seu investidor está diretamente vinculado com a imagem da sua empresa.

2 – Análise de parceiros (KYC)

Conhecer seu cliente, fornecedor, funcionário se tornou uma atividade cotidiana de alguns departamentos dentro de uma empresa.

Tal ação é realizada para identificar e prevenir os riscos antes mesmo que eles aconteçam.

Para fazer isso de forma efetiva leia: Como fazer um background check?

Quais os tipos de informações que preciso levantar a respeito de um fornecedor/cliente?

  • Como é produzido seus produtos e serviços?
  • Possui algum envolvimento com trabalho escravo?
  • Possui envolvimento com terrorismo?
  • Possui histórico de corrupção?
  • Outros.

Uma empresa que produz matéria-prima de primeira e que faz sua fortuna com base na qualidade do seu produto, pode ser considerada um modelo em produção e vendas.

Mas, e se você descobrisse que toda a produção de matéria-prima foi feita através de um trabalho de regime escravo?

Possuir uma fortuna com base em trabalho escravo não é nada legal!

Direta ou indiretamente, o risco de estar envolvido com uma empresa desse “tipo” é totalmente impactante.

A sua empresa não perde apenas com pagamento de multas, perde clientes, seguidores.

3 – Histórico de negociações

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– quem não se lembra do lobo negociando ações baratas?

Uma organização possui um projeto em parceria com uma outra companhia estimado em um valor X.

Ao colocar no papel todos os cálculos referentes ao financiamento do projeto, você descobre que o valor a ser gasto era totalmente inferior ao estimado.

Mas, no final, o projeto já tinha sido finalizado com base no valor inicial.

Isso é o que eu chamo de projeto superfaturado. Vimos muito isso em 2016 na parceria setor público x privado.

Imagine que sua empresa está disposta a fazer uma parceria com uma organização que possui um histórico de participação em projetos superfaturados.

Não preciso nem dizer como essa organização fez sua fortuna, não é?

Situações como essas não devem ser consideradas irrelevantes na gestão de riscos corporativos.

Você pode entender melhor essa analise aqui: O que é due diligence?

4 – Acompanhamento de transações financeiras

Sabemos que empresas movimentam um grande volume de dinheiro diariamente.

Mesmo ocorrendo essa movimentação constante de dinheiro, alguns volumes podem ultrapassar o padrão rotineiro. Mas, isso não quer dizer que possa ser algo suspeito.

Com toda certeza, existem pontos para se monitorar:

  • Beneficiário final.
  • Origem do dinheiro (Vendas; Investimento; outros).
  • Valor total.

Conhecer esses dados é totalmente importante para uma boa tomada de decisão. Principalmente quando existem uma negociação em andamento por parte de uma empresa.

5 – Contribuição fiscal

Um dos pontos que passa batido e que possui suma importância para uma tomada de decisão eficiente.

O jeitinho de ocultar algum recurso de capital, pode e deve ser considerado um risco quando uma das partes não age de transparência com a outra.

Uma organização pode disponibilizar os dados contábeis a um parceiro, ocultando outros dados importante, só para fechar um negócio.

Podemos compara também a receita gerada pela empresa em um período de operação, com a sua contribuição. Essa análise pode dizer muito, é de se analisar.

Não considere a análise das contribuições fiscais como insignificantes, ela pode dizer muito sobre os seus futuros parceiros comerciais.

Conclusão

Espero que essas 5 dicas te ajudem a obter uma melhor análise de parceiros, fornecedores e clientes. Espero também que você tenha compreendido a importância da análise da origem de dinheiro de uma empresa.

Prevenir riscos começa com o levantamento de informações essenciais para uma tomada de decisão precisa e eficiente. Não se pode deixar nenhum ponto passar despercebido.

Caso tenha ficado com alguma dúvida, não hesite! Entre em contato com nossos especialistas.

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